quarta-feira, 26 de setembro de 2007

um ponto um pingo um sopro

Respire


Calma
mente


Respire


Mais uma vez


Pronto, podemos começar.

2 comentários:

daniel san disse...

escreve mais anne
escreve que vai fazer bem!
um cheiro, um sopro e um beijo pra você.

Anônimo disse...

Olhava para o espelho pensativa, estática, tentando concatenar as idéias. Sim, seria um longo dia. Um longo e di´ficil dia, de decisões fortes e emoções doloridas. Seria forte, sabia. Sentia-se só, sabia. Precisava ficar calma. Num impulso, levantou da cadeira, colocou o velho suéter, abriu o armário, alcançou o casaco, as luvas, a bolsa e as chaves. Abriu a porta e saiu. Precipitou-se pela rua, chuva fina, isso não importava, estava dormente, como se as pernas não estivessem querendo obedecer, andava de forma deselegante, rápida, sofrida. Sentia-se invisível, as pessoas passavam por ela como num flash... flash-back. Andava pela rua aturdida, com pressa, precisando chegar... precisava ir rápido, não tinha mais tempo, tudo estava perdido. Dobrou a esquina e seus olhos viram aquele antigo endereço. O velho edifício, o hotel que tantas vezes visitou, em que tantas vezes amou, o velho porteiro, sempre atencioso e respeitoso... tudo tão íntimo. Agora tão dolente... Precisava reagir de forma madura, mostrar que estava tudo bem, que estava calma, que tudo daria certo. Abriu a porta. Olhou aquele quarto, com suas paredes, sofá azul de flores brancas, o velho tapete, a lareira acessa. Percebeu que as janelas estavam embaçadas... como seus olhos. Quis chorar. Avançou alguns passos e encontrou-o deitado na cama. Sorriso nos lábios, olhar triste e quedo. Como sentiu vê-lo assim. Doeu em seu peito... a respiração enfraqueceu, segurou o rosto com as mãos e chorou. Ele olhou e disse: "- Vem cá, quero vê-la mais perto, fique aqui...mais perto...não chore. Tudo vai dar certo.". Procurava acomodar aquela dor, tentava protegê-la, era intenção repetida de fazê-la menos infeliz. Ela aproximou-se da cama e pegou suas mãos, estavam frias e magras...suadas. Ele virou a cabeça de uma forma meio torta e disse: "- Fique tranqüila... preciso que você pense com mais frieza. Nós sabíamos que tudo isso ia acontecer. Em breve, muito breve, nos veremos. O reencontro virá. Só preciso que você me reconheça.". Ela olhou-o com paixão e respondeu: "- E se você não me reconhecer? Vou ficar quanto tempo aí, só? E se você não souber quem eu sou? E se você não me reconhecer?". Olhou-a sorrindo e disse: "- Se for eu quem não reconhecer, lute, faça tudo que for possível, um deve encontrar o outro...".